domingo, 21 de junho de 2015

A torre

A torre


Desde o primeiro suspiro humano
Ela está lá, a torre viva, 
com escadas em espiral,
com paredes que tem
bocas e estômagos.

Estômagos famintos,
bocas que imploram alimento,
não carne, arroz ou feijão
este alimento são elogios,
amor, atenção. 

Todos querem subir seus degraus
mas poucos conseguem.
Os destemidos? Os corajosos?
Os ricos? Bonitos?
Muitas vezes sim.
Raras vezes não.

Cada degrau leva tempo,
é uma escalada árdua. 
as bocas gritando
os estômagos grunhindo
as mãos escorregando
e as pernas bambeando

Subir depende só de si?
Nunca entendi.
Mas quis chegar ao topo.
Durante a escalada eu vi
quem achou um jeito fácil de subir.

Jeito infeliz, empurrar,
derrubar, magoar, insultar,
depreciar, ignorar e por fim
pisar, sobre aqueles que antes subiam
e agora caem.

Até mesmo quem subia comigo
me dando a mão a cada degrau,
a cada dificuldade, à largou...
preferiu assim, me achou fraco, lento.
Mas isso não é de todo ruim,
estarei abaixo dele, assim poderei
segurar sua mão, quando aqueles
que pisam nos outros o derrubar

Olho para cima já sem força,
sem ânimo, com pouca esperança.
magoado, ferido, com o ego destruído,
Admiro aos que estão no topo, 
que ao contrário de pisar,
levantaram aqueles que estavam caídos,
até mesmo carregaram-nos nas costas
quando foi preciso.

Existe aqueles também, 
que conseguiram, subiram,
mas estão na corda bamba,
a um passo de cair,
pois subiram derrubando os demais.
Não construíram uma base sólida
Só acalmaram os gritos famintos
os grunhidos desesperados.

E só o que posso dizer que
independente de quanto você subiu
você não está livre da queda,
só tome cuidado! Você é humano,
também pode cair. 

Todos os dias, 
um pouco da minha vontade morre
se perde nesse lugar sombrio
anseio por uma luz, um alimento...
talvez não valha a pena continuar
a tentar.

Me dê sua mão, venha! Vamos escalar juntos.
[é o que um dia queria ouvir]


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