sábado, 1 de agosto de 2015

Folha em branco

Folha em branco

Uma, duas, três páginas
Esta é  a vida, todos os dias são assim
Páginas em branco a serem preenchidas
As horas escrevem suavemente cada linha
O tempo é uma caneta que nunca seca

Será seu livro um caderno de rabisco?
Algumas folhas estão com relevo de água
Seriam lágrimas?
Por que está chorando?
A caneta desliza pelo papel
Em busca de inspiração
Rabisca, rabisca, e está perdida
Rabisca mais rápido do que se pode planejar
Rabisca sem nunca parar

Os erros passam despercebidos
E só são vistos na revisão
Se és experiente compreende e não erra mais
Se não és sábio para entender, errará até conseguir ser
Escreva teu livro, rabisque, rabisque
Aceite, corrija, melhore, aprenda, viva

Em um quarto escuro há um livro fechado
Empoeirado, abandonado, manchado com lágrimas
Que foi largado pela metade
Uma história escrita com um término indefinido
O final à sorte pertence, triste ver, triste sentir

Não quiseram dele se aproximar;
"Largas este livro, te fará espirrar, tossir"
"Não é o que queres pra ti"
Jogaram-no em um canto qualquer
Foi deixado para mofar
Definhar...

Rabisca, rabisca, rabisca
O livro de tão velho se esfarelou
As cinzas caíram no chão
E lá uma semente desabrochou
Rabisca, rabisca
Uma árvore cresceu e em um livro se transformou

Este novo livro passou de mão em mão
Novamente desprezado
Novamente deixado pela metade
Rasgado, borrado, machucado
Estavas novamente a desistir
Mas um toque quente ele sentiu
A esperança resurgiu

Um certo anjo quis terminar de esceeve-lo
Anjo das mãos delicadas
De coração puro
Anjo imperfeito, que também tinha seu próprio livro
Rasgado, machucado, muitas vezes largado
Pegou o livro triste e começou a escrever
Cada folha era preenchida com palavras felizes
Uma história parecida ao seu próprio livro era contada
Uma história que já não podia ser separada
Sem deixar de fazer sentido
O livro velho agora era bem cuidado
Amado, e se sentia completo, irradiando luz
Inspirando outros livros
O anjo guardou aquele livro junto ao seu...
E nunca mais o deixou se sentir só.

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