quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Olhares




Quando ele olhou naquele verde claro, tão profundo, soube no mesmo instante que se perderia se não encontrasse a direção que devia seguir, ignorou os avisos que gritavam em sua mente, silenciou as vozes e se deixou levar pela doce sensação de ter reencontrado um tão adorado e estimado lugar de sua infância tão distante. 

Passadas largas naquela imensidão verdejante, caminhava vendado apenas sentindo o coração acelerar a cada passo, os gritos assombrosos em sua mente se silenciavam, dando espaço a uma energizante melodia que lhe  inspirava coragem de ir adiante, uma melodia contrastante, que transmitia tranquilidade e energia. 

Em instantes a imensidão verde foi sumindo e a música tocando cada vez mais alta, e vibrante, com estrondosas batidas que impactavam o ar soprando fortes ondas que faziam suas roupas estremecerem. Sua consciência saiu de seu corpo e conseguia ver tudo a sua volta, sua pequenina figura caminhando em uma corda bamba e estremecendo a cada batida da melodia, a imensidão verde esmeralda sem começo nem fim, abaixo uma vastidão negra que parecia não ter um fim.

Olhou para cima, e o céu estava normal, azul claro com nuvens refletidas, pássaros voando lentamente, uma pipa gigantesca e colorida completava a paisagem. Após contemplar a paisagem por instantes, respirou fundo e foi puxado para seu corpo novamente, onde pode sentir as mesmas sensações de antes, o corpo tremendo, as mãos suando, e as pernas vacilantes a cada passada. 

Tirou a venda, olhou para baixo e apreciou aquela infinidade escura, sentiu seu coração disparar, quase sair pela boca...

E saltou de cabeça em sua direção.


Fim.

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