domingo, 15 de abril de 2012

Eileen

        Na primeira noite do começo de outono, estavam todos reunidos em volta da fogueira para o ritual assim como o grande mago pediu, todos deveriam estar ali para que pudesse funcionar. E todos estavam, inclusive o pai daquela obra de arte, o ferreiro Alain.

        Assim que a lua se mostrou com vigor, todos os oito magos e o grande criador se reuniram próximos da fogueira de chamas azuis, a floresta estava silenciosa, o silêncio era tanto que era possível escutar o som da lenha estalando enquanto era queimada e do vento soprando levemente as folhas secas das árvores. Todos estavam trajados com as roupas de cerimônia: túnicas de cor verde escuro com um capuz largo, largo ao ponto de encobrir os olhos dos ali presente.


        Acorrentado perto da fogueira, havia um jovem dragão vermelho, seus olhos refletiam o espanto de sua alma, tentava se libertar das correntes mas era inútil, estavam presas firmemente e seladas com algum tipo de magia. Repousando nas chamas daquele fogaréu encontrava-se o grande foco daquilo tudo, uma espada, não apenas isso, um objeto que estava prestes a se tornar uma das armas mais mortais já criadas. Era maior que um homem de altura mediana e tinha a largura de um palmo e meio, seus dois gumes eram cortantes como giletes, devido ao seu tamanho ela era um objeto pesado, foi feita para que apenas os mais fortes pudessem usar. Além disso tudo, sua ponta triangular apesar de tão ter sido projetada para perfurar, poderia atravessar um homem facilmente. Os druidas e magos pediram para que seu criador, talhasse runas em suas laterais, assim ela estaria apta a aceitar o ritual que estava prestes a acontecer.

        Sem mais demora o mago ancião pediu para que rodeassem o local onde estavam a fogueira, o dragão e a espada. O vento havia parado de soprar, o dragão tentava gritar mas não conseguia por causa das correntes que amordaçavam sua boca, a lua brilhava misteriosamente como uma garota em seu vestido prateado e uma leve chuva começava a cair nesse instante refrescando toda a floresta. O velho ergueu suas mãos e todos o acompanharam, ele sentia as gotas de chuva passando entre seus dedos e lhe dando o poder necessário, então ele começou a pronunciar em seu idioma nativo algumas palavras em alto tom, palavras essas que faziam o dragão se debater e tentar fugir. Depois de terminado sua seqüencia ele disse “Que parte do nosso espírito e poder sejam selados nessa espada junto a toda a força, coragem, sabedoria e astúcia desse dragão...que assim seja”. Ao terminar de pronunciar isso, foi possível ver o fogo azul daquela fogueira tomando proporções gigantescas, subindo com tanta intensidade e constância que parecia sair do próprio inferno, a espada ficou vermelha e começou a sugar parte dos poderes e dos espíritos dos magos. Linhas verdes e translúcidas de energia saiam dos corpos dos magos e iam de encontro com a espada, poucos segundos depois elas ficaram mais fracas e sumiram, eles se encontravam exaustos e tontos.

        Após absorver parcialmente os poderes daqueles homens, ela começou a fazer isso com o dragão. Fortes linhas vermelhas e translúcidas de energia saiam de todo o corpo do dragão, ele começava a ficar velho conforme era sugado, estava secando, suas escamas caindo, seus olhos ficando brancos e seus ossos ficavam cada vez mais visíveis através da carne. Foi assim até sobrar apenas o esqueleto do dragão, depois de terminado apareceram escamas vermelhas nas laterais da espada e em seu cabo surgiu escamas negras e resistentes, anatomicamente bem posicionadas.

        E assim nasceu Eileen, a espada matadora de dragões. Dizem que quem a usa recebe os poderes dos magos e do dragão, essa lenda percorre os sete mares e todos os continentes, mas ninguém nunca encontrou esse artefato, segundo a outra metade da lenda essa espada é guardada pelo mais forte dos dragões, ele e todos os dragões juraram jamais deixar que ela seja usada para matar um dragão novamente. Agora eles guardam-na para quando o escolhido nascer...

Antonio Elcio

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